Ele dirige o setor que, por conta de recentes questões polêmicas, ganhou todos os holofotes nas últimas semanas: o Instituto de Planejamento Urbano de Maragogi (IPUMA). O setor é responsável pelo ordenamento do município, ou seja, tem a difícil missão de vigiar e coibir toda prática irregular de pessoas ou grupos, na terra ou no mar. Há poucos dias, foi o centro de debates acalorados, envolvendo o pessoal que realizava passeios comerciais com motos aquáticas. É que (mais) um vídeo de manobra perigosa circulou nas redes sociais e causou uma indignação generalizada.
Diante da repercussão negativa na mídia do estado, a Prefeitura de Maragogi, seguindo recomendação do Ministério Público, e com fundamento em um decreto municipal já existente, decidiu proibir os passeios comerciais de moto aquática nas praias do município.
A nossa entrevista é com Rhaylander Fabian Teixeira, de 31 anos de idade, diretor-presidente do IPUMA desde janeiro de 2025. Engenheiro civil e ambiental, com MBA em Gestão e graduação em Ciências Políticas em andamento, atuou no Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (IMA) entre 2016 e 2020 como assessor técnico de análise. Em Maragogi, integrou a Secretaria de Meio Ambiente entre 2021 e 2024, exercendo as funções de técnico de análise de processos e a partir de 2023 como diretor técnico de análise.
MN – Quais áreas são de responsabilidade do Ipuma no município de Maragogi?
Rhaylander – O Instituto de Planejamento Urbano de Maragogi (IPUMA) é o órgão responsável pela ordenação municipal, ou seja, por todas as ações que envolvem a organização do espaço urbano.
Isso inclui obras, uso de áreas públicas, comércio em logradouro público, organização das praias, ocupações irregulares e demais situações que impactam diretamente a estrutura e o funcionamento da cidade.
MN – Em Maragogi, durante décadas, foi criada a cultura da “absoluta permissão” em troca de votos. “Tudo posso, se voto no meu prefeito” ou “tudo você pode, se me garante seu apoio político”. Quais os riscos dessa corrente de pensamento para o atraso e o caos do município?
Rhaylander – A gestão não atua com base em trocas políticas. O interesse coletivo sempre se sobrepõe ao interesse de grupos ou classes específicas.
Acreditamos que uma gestão responsável deve ser avaliada pela população por meio das eleições. Se os resultados das ações forem positivos para o município, o reconhecimento político será apenas uma consequência natural.
MN – Sobre a pergunta anterior, manter o município organizado requer pulso firme, agrada-se a uma maioria, mas dessagra às classes atingidas, o que sempre gera números de rejeição ao governo, e sabemos como funciona o sistema político. O governo pode voltar atrás em algumas decisões, mesmo sendo ruim para o município, mas benéfico politicamente?
Rhaylander – O governo será sempre humilde para rever decisões quando entender que elas foram equivocadas ou que não contribuem para o desenvolvimento do município.
Porém, jamais voltará atrás em decisões que sejam corretas para a cidade, apenas por conveniência política ou pressão de grupos.
MN – Difícil lidar com setores que acham que podem ditar suas próprias leis?
Rhaylander – Ao longo desses 13 meses de gestão, encontramos muitos “costumes” que, por serem praticados durante décadas, passaram a ser vistos como normais por alguns setores.
Estamos trabalhando classe por classe para reorganizar a cidade. Sabemos que é um processo que exige tempo e paciência, mas temos convicção de que, ao final dos quatro anos de governo, Maragogi estará muito mais organizada.
MN – Ao inaugurar a Praça da Juventude, o governo municipal falou muito em revitalização da orla. O que seria para o governo a revitalização da nossa orla?
Rhaylander – Estamos buscando dar uma nova identidade ao município, e a infraestrutura é o primeiro passo.
A revitalização da orla passa por um novo visual, mais espaços de convivência, melhor estrutura, padronização dos quiosques e organização do comércio.
Nosso objetivo é que a orla de Maragogi seja reconhecida como uma das mais bonitas do Brasil, assim como nossas praias já são.
MN – Observamos que os restaurantes e bares da orla têm retirado mesas e cadeiras da areia da praia no final da tarde. O que mais está sendo feito com o intuito de ordenar a orla?
Rhaylander – Todos os ambulantes da orla foram cadastrados, separados por tipologia, com definição de espaços e horários.
Além disso, uma equipe de fiscalização noturna atua diariamente para garantir que as regras sejam cumpridas e que a orla permaneça organizada.
MN – As lanchas voltaram a ser “guardadas” na areia da praia, e alguns carrinhos também são “esquecidos” durante a noite. Qual a orientação que o senhor tem para solucionar esses casos?
Rhaylander – Já nos reunimos com os representantes das classes para tratar do problema.
Atualmente, estão sendo discutidas soluções para que todas as embarcações sejam retiradas diariamente da praia ao final das atividades.
MN – O número de comerciantes ou camelôs cresce a cada dia. Onde colocar todos futuramente?
Rhaylander – A afirmação de que o número de ambulantes cresce não condiz com a realidade.
No recadastramento, diversos cadastros foram indeferidos por não atenderem requisitos mínimos, como residência em Maragogi, certidões negativas, antecedentes criminais, entre outros.
Hoje, o cadastro de novos ambulantes está bloqueado, justamente para evitar colapso.
Na orla, o comércio é permitido apenas em três pontos:
- Praça da SMTT
- Em frente à Pousada Olho D’Água
- Praça de Alimentação
Todos são cadastrados e fiscalizados diariamente.
MN – Como está a negociação com os comerciantes da Praça de Alimentação?
Rhaylander – Os comerciantes serão realocados até o dia 28/02 para uma nova praça de alimentação próxima ao Hotel Areias Belas, que passará por reforma na próxima semana.
Eles permanecerão nesse local até que os novos polos estejam prontos, como o novo Mercado Municipal, que será reformado e se tornará mais um atrativo turístico.
MN – Quanto às mesas e cadeiras que bloqueiam a passagem dos pedestres no estreito calçadão da orla. Eles têm permissão para isso?
Rhaylander – A maioria dos empreendimentos da orla possui permissão de uso do espaço público em horários limitados, porém nenhuma autorização permite bloquear a passagem.
Os espaços são delimitados exatamente para garantir a livre circulação de pedestres.
MN – Por que a ideia de fechar a orla nos fins de semana até agora não foi concretizada?
Rhaylander – Por enquanto é inviável, devido à falta de locais para estacionamento, mas está nos nossos planos para o próximo verão.
MN – O governo tem algum projeto para revitalizar o centro da cidade, mais especificamente a Praça Batista Acioly?
Rhaylander – A política de requalificação urbana não se limita à orla. A melhoria da infraestrutura será para todo o município, incluindo o centro da cidade e suas praças.
MN – Qual a orientação e/ou punição para quem não acata ou insiste em infringir a nova ordem?
Rhaylander – O processo ocorre em etapas:
- Notificação
- Autuação
- Apreensão, podendo culminar no cancelamento da autorização.
MN – Os pedestres têm enfrentado dificuldades para transitar pelas ruas da cidade. Além dos carros estacionados às vezes dos dois lados (quando se trata de uma via larga), caminhar pelas calçadas é tarefa praticamente impossível para os idosos. As calçadas não obedecem a um nivelamento, não são padronizadas, são escorregadias. A prefeitura tem algum estudo ou projeto para solucionar essas adversidades?
Rhaylander – Maragogi vive hoje uma nova realidade. O município se consolidou como um dos principais destinos turísticos do Brasil, figurando no Top 10 das cidades mais visitadas do país. Esse crescimento trouxe visibilidade, desenvolvimento econômico e geração de oportunidades, mas também grandes desafios.
Na alta temporada, nossa população flutuante chega a aproximadamente 100 mil pessoas, em uma cidade que possui cerca de 33 mil habitantes. Esse aumento expressivo impacta diretamente áreas essenciais como mobilidade urbana, trânsito, saúde, limpeza urbana, abastecimento de água, segurança e serviços públicos em geral.
É importante reconhecer que herdamos uma infraestrutura que, infelizmente, por conta do descaso de gestões anteriores, não acompanhou esse crescimento acelerado. Ainda assim, a atual gestão tem assumido a responsabilidade de enfrentar esses desafios com seriedade e compromisso.
A SMTT está diariamente nas ruas, organizando o trânsito, fiscalizando, orientando motoristas e garantindo mais fluidez e segurança viária. Além disso, a Prefeitura vem atuando de forma integrada, buscando planejamento, organização e soluções estruturantes para preparar Maragogi para essa nova fase.
O crescimento do turismo é motivo de orgulho, mas exige gestão, responsabilidade e trabalho contínuo. E é exatamente isso que estamos fazendo: cuidando da cidade, organizando os serviços e construindo, passo a passo, uma Maragogi mais estruturada, segura e preparada para moradores e visitantes.
MN – Como fica a situação do pessoal do jet ski?
Rhaylander – Foram realizadas reuniões com o ICMBio e a Marinha para orientar sobre os trâmites que as associações devem cumprir para regulamentar suas atividades.
Enquanto isso, o município cumpre integralmente a recomendação do Ministério Público.
MN – Também há reclamações de banhistas sobre as lanchas que chegam muito próximas para o embarque e desembarque. O senhor já recebeu alguma denúncia nesse sentido?
Rhaylander – O projeto de balizamento foi aprovado pela Marinha.
Em breve, as áreas destinadas a banhistas e embarcações serão delimitadas, garantindo mais segurança para todos.








