A relação do ser humano com a natureza é, ao longo de séculos, predatória e destrutiva. Existe uma produção monstruosa de lixo que precisa ser endereçada por pessoas com uma consciência social. Pensando nessas questões, muitos artistas ao redor do mundo se debruçam sobre os resíduos e os transformam em arte. A própria escolha do material levanta reflexões sobre nossa relação com aquilo que descartamos e que desejamos que fique o mais longe possível de nossas vidas.
Em Maragogi, o educador físico Fernando Candido da Silva Junior simboliza bem o papel de artista consciente. Ele confecciona esculturas utilizando papelão, papel, jornal, cola, fita e cabo de vassoura, desde 2017, quando, aos 21 anos de idade, fez sua primeira escultura. Hoje, aos 29, continua exercitando seus dotes artísticos e dando vida a novas esculturas feitas com materiais que antes seriam jogados fora.
“Faço esculturas de material reciclável apenas com a vontade de criar algo diferente”, conta Fernando. “Cada peça tem um significado e pode ser alugada para festas, teatros, exposições e outros eventos, levando cor, criatividade e consciência sobre a importância de reutilizar o que seria descartado.”

O educador físico e artista relata que tem dificuldade de guardar as esculturas. Por falta de um espaço adequado, coloca-as no fundo do quintal, em uma área coberta, mas com o tempo, algumas acabam se deteriorando. Isso o entristece, porque cada obra tem um pedaço de si, de sua dedicação, do seu sonho.
“Mesmo assim, sigo acreditando. Quero um dia poder construir um espaço em Maragogi, bem organizado, como uma galeria de arte feita com materiais reciclados e reutilizados. Um lugar onde eu e outros artistas possamos mostrar nosso trabalho e inspirar mais pessoas a verem que o lixo pode se transformar em arte e esperança. Quem sabe um dia…”, sonha Fernando.








