Solidão mata 100 pessoas por hora no mundo, revela relatório divulgado pela OMS

Jovens são os mais afetados

De acordo com o documento “Da solidão à conexão social: construindo sociedades mais saudáveis”, o isolamento e a solidão estão associados a aproximadamente 871 mil óbitos prematuros por ano. Aproximadamente 100 mortes por hora . O impacto na saúde é comparável ao de fumar 15 cigarros por dia ou viver com obesidade severa.

Uma em cada seis pessoas no planeta experimenta algum nível de solidão. O relatório distingue dois conceitos: solidão é o sofrimento causado pela sensação de desconexão, mesmo estando rodeado de gente; isolamento social é a ausência real de contatos e relacionamentos.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, observou que nunca estivemos tão conectados digitalmente, mas, ao mesmo tempo, milhões de pessoas se sentem profundamente sozinhas.

Os grupos mais atingidos são jovens de 15 a 29 anos e moradores de países de baixa e média renda. Entre adolescentes e jovens adultos, o tempo excessivo em telas e as interações negativas nas redes agravam a situação.

Outros fatores que aumentam o risco incluem doenças crônicas, baixa renda ou escolaridade, morar sozinho, falta de espaços comunitários e políticas públicas que não favorecem a convivência.

Pessoas que vivem solidão ou isolamento apresentam:
– 50% mais chance de demência na terceira idade
– 30% maior risco de infarto ou AVC
– Duas vezes mais probabilidade de depressão e ansiedade
– Maior incidência de diabetes tipo 2 e morte precoce

Em contrapartida, quem mantém relações sociais fortes tem menor inflamação, melhor imunidade e vive, em média, mais anos.

A Comissão Global de Conexão Social da OMS sugere cinco linhas de ação prioritárias:

1. Tornar a conexão humana uma meta explícita de políticas públicas
2. Ampliar estudos sobre o tema
3. Desenvolver intervenções eficazes para todas as idades
4. Aperfeiçoar a medição de solidão e isolamento
5. Mobilizar governos, empresas e cidadãos em um movimento global

“Investir em relações humanas é uma das medidas de saúde pública mais eficazes e de menor custo que existem”, afirmou Chido Mpemba, copresidente da comissão.

O relatório completo pode ser acessado no site oficial da Organização Mundial da Saúde (who.int).

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