Editorial | As restingas de Maragogi pedem socorro

As restingas de Maragogi precisam de mais do que placas indicando que se trata de uma Área de Proteção Ambiental. Precisam de vigilância permanente, fiscalização efetiva e punição para quem insiste em tratar um dos mais importantes ecossistemas do litoral como se fosse um terreno sem dono.

Quem percorre as praias do município encontra sinais evidentes de degradação. Lanchas encalhadas sobre a vegetação, ferragens abandonadas, restos de concreto, mesas e cadeiras de estabelecimentos comerciais, áreas transformadas em estacionamento e intervenções que, pouco a pouco, avançam sobre uma vegetação essencial para a estabilidade da faixa costeira. Cada agressão pode parecer pequena quando observada isoladamente. Juntas, porém, representam uma ameaça constante ao patrimônio natural de Maragogi.

Não basta instalar placas informando que determinada área é protegida. A proteção precisa existir na prática. Quando as infrações se repetem diante dos olhos de todos, sem que haja uma resposta visível e contínua do poder público, cria-se a impressão de que a legislação ambiental existe apenas no papel.

Também é preciso discutir se o Município dispõe de instrumentos próprios para fortalecer a proteção das restingas e de outros ecossistemas costeiros. Independentemente da existência de normas municipais, a preservação dessas áreas deve ser tratada como prioridade. Afinal, a riqueza ambiental de Maragogi não pertence apenas à geração atual; trata-se de um patrimônio coletivo e indispensável para o futuro da cidade.

A preocupação vai muito além das restingas. As praias, a costa, os coqueirais, os recifes e toda a paisagem que transformou Maragogi em referência nacional do turismo dependem de cuidados permanentes. O município construiu sua identidade em cima de suas belezas naturais. Se elas forem degradadas, perde-se muito mais do que um cenário bonito: perde-se qualidade ambiental, qualidade de vida e o principal diferencial econômico da cidade.

O problema é agravado pela combinação de dois fatores perigosos: de um lado, uma fiscalização que a população frequentemente percebe como insuficiente; de outro, a busca por ocupações e intervenções cada vez maiores sobre áreas sensíveis. Quando essa equação se instala, a natureza quase sempre sai derrotada.

Ainda há tempo para mudar esse cenário. Mas isso exige presença constante dos órgãos ambientais, atuação firme do Município e do Estado, responsabilização dos infratores e uma compreensão coletiva de que preservar não significa impedir o desenvolvimento. Significa garantir que Maragogi continue sendo reconhecida justamente pelo que a tornou famosa.

A natureza levou séculos para construir as paisagens que fizeram de Maragogi um dos destinos mais admirados do país. Destruí-las pode levar apenas alguns anos. E recuperar o que for perdido será, na maioria dos casos, muito mais difícil do que simplesmente impedir que a destruição continue.

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