Motivos que levaram Justiça proibir prática de moto aquática nas praias de Maragogi

Depois que a prefeitura de Maragogi proibiu – parece que dessa vez, definitivamente – o comércio de passeios com jet skis nas praias do município, na última quarta-feira (14), um vídeo (de autoria anônima) circulou nas redes sociais, exibindo alguns acidentes notórios provocados pelas motos aquáticas.

“Maragogi é um dos destinos turísticos mais belos e respeitados do Brasil. Mas o que está acontecendo em nossas praias não pode ser normalizado. O aluguel irregular de jet skis tomou proporções preocupantes. Equipamentos circulam sem autorização, em áreas de banhistas, colocando em risco crianças, famílias, trabalhadores e turistas. O lazer de poucos não pode colocar vidas em perigo”, narra a voz, enquanto as imagens são mostradas.

E continua: “E ainda gravam vídeos pornográficos em cima de jet ski, à luz do dia, expondo Maragogi de forma negativa e desrespeitosa em todo o país. Esse cenário não surgiu por acaso. Ele é resultado da falta de regras, da exploração irregular do espaço público e da ausência de limites.” Fim.

Fato.

Os repetidos acidentes foram manchetes e repercutiram na mídia. Vejamos: “Acidente entre jet ski e catamarã deixa um ferido em praia de Maragogi (TNH1, em 28 de julho de 2023); Banhista é atingida por jet ski em praia de Maragogi (Jornal de Alagoas, em 23 de outubro de 2024); Colisão entre jet ski e banana boat deixa dois feridos em Maragogi (Em Tempo Notícias, 14 de março de 2023); Acidente com jet ski em Maragogi acende alerta sobre imprudência no mar (Gazeta de Alagoas, 12 de junho de 2025); Casal é investigado por gravar filme pornô em moto aquática em Maragogi (UOL, 19 de novembro de 2025).

Fora os casos que foram “abafados”.

E como se tudo isso não fosse suficiente, já circulou imagens até de crianças conduzindo moto aquática em nossas praias. E há narrativas do aluguel desse veículo a pessoas embriagadas – e, claro, sem habilitação.

Sobre a proibição

A medida da prefeitura de Maragogi atende a uma recomendação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) e determina multa de R$ 5 mil por dia, além da apreensão imediata das motos aquáticas em situação irregular.

Na verdade, a prática já era irregular desde a publicação do Decreto Municipal nº 057/2021, que proíbe o uso comercial de jet skis em toda a orla do município. Só que a coibição era até então só “fachada” – na prática, faziam vista grossa e tudo era permitido. Aliás, como muita coisa ainda o é.

Também está impedido o acesso de motos aquáticas particulares a locais de mergulho e áreas de preservação ambiental, com o objetivo de garantir a segurança dos banhistas e proteger o meio ambiente.

A prefeitura e MP não estão sozinhos.

O Trade Turístico da Costa dos Corais também solicitou a proibição por meio de ofício enviado aos órgãos competentes. No documento, a entidade aponta riscos de colisões com banhistas e pequenas embarcações e afirma que o intenso fluxo de jet skis compromete a imagem de Maragogi como destino de turismo familiar.

Por outro lado, infelizmente, há pessoas sem noção, ou meramente oportunistas, que, ao invés de apontar uma saída, ou ao menos tentar, e assim contribuir para o bem-estar de todos, faz postagens midiáticas demagogas de “apoio a causa dos menos favorecidos” para unicamente promover o caos em benefício próprio. Ficar calado numa situação dessas ajudaria bastante.

De acordo com a prefeitura, as motos aquáticas apreendidas só poderão ser retiradas após o pagamento da multa diária prevista. O Ministério Público destacou que a recomendação busca evitar danos aos recifes de corais e aos bancos de areia, além de reduzir a poluição sonora e a perturbação da fauna marinha.

A promotoria também determinou que o município envie relatórios mensais, com registros fotográficos das fiscalizações realizadas ao longo da orla.

Vamos aguardar e esperar que, dessa vez, a coisa não fique só no papel e que seja apenas o começo do ordenamento de toda a orla de Maragogi.

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