Projeto Conectando Saberes resgata a educação ambiental na rede pública de ensino de Maragogi

Conectando Saberes atende 2.150 estudantes do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental II da rede pública de ensino.
Alunos do 6° ano do Ensino Fundamental II da EMEB Eurico Acioly Wanderley.

“Maragogi, devido aos seus atrativos naturais, enfrenta impactos negativos decorrentes do turismo intensivo, que afetam diretamente ecossistemas vulneráveis, como recifes e manguezais. Apesar de sua importância ambiental, ainda há escassez de iniciativas educativas que conectem a realidade local ao currículo escolar. O desenvolvimento de um projeto que una conhecimento científico, realidade local e formação cidadã é fundamental para que os estudantes compreendam o meio ambiente e o território em que vivem”, destaca Erick Phelipe, coordenador de Educação Ambiental.

Partindo dessa premissa, a Prefeitura de Maragogi, através da Coordenação de Educação Ambiental (COEA), idealizou e implementou o projeto Conectando Saberes, uma iniciativa voltada ao componente curricular de Educação Ambiental e ao Turismo dos alunos do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano).

Erick Phelipe, coordenador de Educação Ambiental, idealizador do Projeto Conectando Saberes.

Sobre o projeto

O Conectando Saberes é um projeto que atende 2.150 estudantes do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental II da rede pública de ensino de Maragogi e 17 professores do componente curricular de Educação Ambiental e Turismo. Conta com a colaboração voluntária de 50 especialistas das Ciências Ambientais de instituições nacionais e internacionais, além de representantes de órgãos ambientais, promovendo um diálogo interdisciplinar.

Com base em roteiros pedagógicos alinhados à BNCC, são elaborados e revisados conteúdos estruturados em quatro módulos anuais para cada estágio de ensino (6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II), abordando temas como ecossistemas, turismo sustentável, mudanças climáticas e energias renováveis em diferentes escalas (global, nacional, estadual e municipal). Os professores participam de capacitações mensais e acompanhamento semanal, enquanto questionários aplicados após cada aula possibilitam avaliar a aprendizagem e ajustar as metodologias, garantindo a melhoria contínua do projeto.

O Conectando Saberes visa oferecer aos estudantes conteúdos e atividades que promovam reflexão crítica sobre seu papel na preservação e conservação do meio ambiente, incentivando uma aprendizagem contextualizada, significativa e transformadora. Para a elaboração dos conteúdos pedagógicos, mais de 50 especialistas técnicos da área ambiental participaram da construção dos materiais, incluindo doutores, mestres e profissionais das Ciências Ambientais, garantindo rigor científico e adequação metodológica.

Erick Phelipe (à direita) com Ary Michel Medeiros da Silva, técnico da Gerência de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade (GECLIM) no Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (IMA).

“É de uma grande satisfação poder contribuir como colaborador técnico no Projeto Conectando Saberes, que busca levar, de uma forma simples e didática, temas tão importantes como meio ambiente e agroecologia, para um dos ensinos fundamentais”, descreve Ary Michel Medeiros da Silva, técnico da Gerência de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade (GECLIM) do Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (IMA). “Esse trabalho tem um impacto muito positivo na educação porque aproxima as crianças de questões reais do nosso dia a dia, despertando nelas consciência ambiental, senso de responsabilidade e valoração dos saberes locais. E como servidor do IMA, vejo nesse projeto uma oportunidade de fortalecer a educação ambiental e de semear valores que vão ajudar a formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com a sustentabilidade.”

Lançamento

O lançamento do primeiro módulo do Conectando Saberes ocorreu em 12 de maio deste ano, no auditório da Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro), em Maragogi. O evento contou com a participação conjunta das Secretarias municipais de Educação, Cultura, Meio Ambiente, Turismo e Agricultura, além da presença de autoridades e representantes do poder público e lideranças comunitárias.

Prof. Klebson do IFAL – Campus Maragogi participa do lançamento do projeto.

Entre elas, a primeira-dama do município, Amélia Freire; a consultora ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL), Lays Pereira do Nascimento, que atuou como colaboradora técnica, elaborando aulas para o projeto; a secretária executiva da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH-AL), Amélia Fernandes; e o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE/ICMBio), Leonardo Tortoriello Messias.

Durante o evento de lançamento do segundo módulo, em 5 de agosto, no mesmo espaço do primeiro, foram oferecidas capacitações para os professores do componente de Educação Ambiental e Turismo da Rede Pública de Ensino de Maragogi. Além disso, uma Feira de Saberes reuniu 130 alunos que apresentaram os conhecimentos adquiridos no primeiro módulo, por meio de maquetes, cartazes, banners, jogos didáticos, desfile com roupas confeccionadas com material reciclável e peças artesanais.

Entre os convidados, estavam o biólogo e consultor ambiental Rodrigo Moura, a presidente do Conselho Tutelar de Maragogi, Adélia Carla, e integrantes da Associação da Terceira Idade Coração Valente. O terceiro e último módulo deste ano deve ser lançado no mês de outubro, consolidando o caráter contínuo da iniciativa.

Professora doutora da Universidade Federal de Alagoas, Rochana Campos.

“É um projeto de grande valia para a população, para os estudantes, tão amplo e tão inovador que a gente só vai ter capacidade de saber o seu real impacto sobre a população daqui a um tempinho, não é assim imediatamente. Mas é um projeto que apropria os estudantes com seu espaço, ou seja, com seu município, com Maragogi, falando da sua localização em relação ao Brasil, em relação ao estado de Alagoas, as características do seu município”, enaltece a professora doutora da Universidade Federal de Alagoas, Rochana Campos.

Ainda de acordo com as palavras da professora doutora, a iniciativa faz com que a população, no caso, esses alunos, tomem posse, adotem um processo de pertencimento com o local em que moram, em que atuam, e se apropriando, entendam seu espaço, e passam a valorizar esse espaço.

“E será integrante dessa localidade, através do conhecimento, através das informações, do turismo, da economia, de todos esses ramos atuantes dentro do município, das unidades de conservação, dos recursos hídricos, da ocupação do espaço, das suas praias, dos assentamentos, adequando essa população, esses estudantes, ao seu espaço no município. É um projeto pioneiro, e que a gente fica muito satisfeita e feliz de estar acontecendo no estado de Alagoas.”

Nicolli Albuquerque, Engenheira Ambiental e Sanitarista da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Impacto e relevância

O projeto Conectando Saberes reforça o compromisso da gestão municipal com a educação de qualidade, a valorização do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e busca ampliar o protagonismo dos jovens na construção de um futuro consciente e responsável.

Em Alagoas, o projeto destaca-se como um exemplo de integração entre os setores supracitados, com o município de Maragogi servindo de referência. O projeto também fortalece a educação ambiental nas escolas, capacita professores e aproxima estudantes de práticas sustentáveis, em consonância com políticas e programas conduzidos pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH-AL).

Em seu discurso, a secretária municipal de Educação, Andrea Carla, registrou a data como um marco na história da Educação de Maragogi, no Estado de Alagoas e até mesmo no Brasil:

Andrea Carla, secretária municipal de Educação: “Os profissionais da área ambiental dedicaram seu tempo e conhecimento para desenvolver módulos que vão além da sala de aula.”

“Estamos aqui para celebrar o lançamento dos módulos do projeto ‘Conectando Saberes’, uma iniciativa que reforça nosso compromisso com a formação integral dos nossos alunos e com a preservação do nosso patrimônio natural. O Conectando Saberes é muito mais do que um conjunto de materiais didáticos; é uma oportunidade para transformar a maneira como os jovens se relacionam com o meio ambiente, incentivando a reflexão crítica e promovendo uma aprendizagem que faz sentido para a realidade em que vivem.”

A secretária não esqueceu de enfatizar a importância dos técnicos: “Os profissionais da área ambiental dedicaram seu tempo e conhecimento para desenvolver módulos que vão além da sala de aula. Estes materiais incluem atividades que estimulam os alunos a compreender seu papel na preservação e conservação do meio ambiente, promovendo um processo de ensino contextualizado, significativo e transformador. Sabemos que a educação é o caminho mais poderoso para transformar nossa sociedade. Quando ensinamos nossos alunos a valorizarem e cuidar do meio ambiente, estamos plantando as sementes para um futuro mais consciente, sustentável e responsável.”

Andrea Carla finalizou agradecendo a todos os professores, profissionais da educação e a todos que se uniram para construir este projeto. “Sua dedicação é fundamental para que possamos inspirar nossos jovens a se tornarem líderes ambientais e cidadãos responsáveis. Vamos juntos conectar saberes, transformar realidades e construir um futuro mais sustentável para Maragogi.”

Amélia Fernandes, secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH-AL).

“O município de Maragogi lançou módulos educacionais voltados para estudantes do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano), integrados aos componentes de Educação Ambiental e Turismo”, relata Amélia Fernandes, secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH-AL). “Tivemos a honra de participar dos dois módulos realizados até então, conferindo a colaboração de mais de 50 especialistas e a promoção de capacitações para professores, além da realização de uma Feira de Saberes, que envolveu a participação ativa dos alunos.”

A secretária conta que as ações são desenvolvidas de forma interdisciplinar, incluindo produção de materiais didáticos modulares, incentivo à aprendizagem prática e valorização dos saberes locais, e comentou que a presença de representantes de instituições estaduais, como a SEMARH/AL e o IMA, fortalecem a articulação entre o governo estadual e o município.

Amélia Fernandes assim descreve o projeto:

“O Conectando Saberes dialoga diretamente com os eixos estratégicos da SEMARH/AL como:

  • Educação Ambiental: no sentido de reforçar a implementação da Política Estadual de Educação Ambiental, ao capacitar professores e levar práticas sustentáveis para dentro das escolas.
  • A Gestão participativa: aproxima comunidades escolares, técnicos e gestores, criando base cidadã mais consciente sobre o uso dos recursos naturais, especialmente a água.
  • Articulação institucional: que fortalece parcerias entre a SEMARH, municípios, universidades e comunidades locais, garantindo maior alcance das políticas socioambientais.

Esse projeto deve resultar na:

  • Expansão das práticas de Educação Ambiental em outros municípios.
  • Formação de professores como multiplicadores de saberes socioambientais.
  • Fortalecimento da participação cidadã em processos de gestão ambiental.
  • Consolidação de Alagoas como referência em práticas de integração entre educação e sustentabilidade.”
As alunas: Beatriz Mariana Nascimento da Silva, Thayná Santos Guedes da Silva e Geovanna de Melo Ribeiro.

“Foi um privilégio participar desse projeto, dessa exposição do Conectando Saberes. Aprendi, ensinei, conheci pessoas novas, e através delas, aprendi mais sobre educação ambiental. Durante a feira de saberes tivemos até um desfile de roupas confeccionadas com materiais recicláveis, feitas pelos alunos. Muita boa essa ideia da prefeitura de Maragogi, em proporcionar esse momento para nós, alunos”, declara Beatriz Mariana Nascimento da Silva, aluna do 9º ano.

“Aprendi coisas que eu não sabia antes, como as normas gerais da APACC. Também adquiri conhecimentos sobre animais marinhos ameaçados de extinção na área de Maragogi. E repassei tudo para os colegas que não puderam estar presentes”, confessa Thayná Santos Guedes da Silva, aluna do 8º ano.

“Foi muito legal aprender de forma lúdica e divertida o quanto é importante a gente preservar o meio ambiente. A minha sala apresentou o projeto na Trilha do Risco, e foi muito interessante ver como as pessoas conseguiram aprender de forma prazerosa os riscos de um lixinho na rua. Às vezes, até um plástico do chiclete que a gente joga sem perceber prejudica o meio ambiente. Por isso, sempre é bom aprender”, relata Geovanna de Melo Ribeiro, aluna do 9º ano.

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