Familiares de pessoas desaparecidas na região do município de São Miguel dos Milagres contestam a versão apresentada por autoridades de segurança, que apontam ligação direta ou indireta das vítimas com o crime organizado. Em meio à dor e à falta de respostas, parentes afirmam que muitos dos desaparecidos eram trabalhadores e não tinham histórico criminal.
Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, ao menos 19 pessoas desapareceram entre 2022 e 2026 na chamada Rota Ecológica dos Milagres, que inclui ainda municípios vizinhos. A investigação oficial sustenta que os casos estariam ligados a dinâmicas do tráfico de drogas e disputas entre facções criminosas.
De acordo com esse relatório, haveria indícios de que todos os desaparecidos tinham algum tipo de vínculo com o universo criminal — seja por antecedentes, dívidas com o tráfico ou envolvimento com facções.
As famílias, no entanto, rejeitam essa generalização. Parentes relatam que alguns dos jovens levavam vida comum, trabalhavam e não tinham passagem pela polícia. Também criticam o que consideram uma “criminalização das vítimas”, que pode dificultar a mobilização social e o avanço das investigações.
Além disso, há queixas sobre a falta de respostas concretas. Muitos casos seguem sem solução, e em vários deles sequer houve localização dos corpos, o que aumenta o sofrimento e a incerteza.
Sobre o caso
A polícia aponta que a região enfrenta a atuação de diferentes grupos criminosos e disputas territoriais, o que pode estar por trás dos desaparecimentos.
Em alguns episódios, há suspeita de execução pelo chamado “tribunal do crime”, com vítimas enterradas em covas clandestinas.
Também não está descartada a hipótese de que parte dos desaparecidos tenha fugido para evitar represálias dentro do próprio meio criminoso, segundo autoridades.
O número de casos aumentou nos últimos anos — cinco em 2024, 11 em 2025 e novos registros em 2026 — gerando apreensão entre moradores e autoridades.







