O modelo tradicional de relacionamento a dois já não é a única configuração afetiva estudada pela ciência. Relações consensualmente não monogâmicas, incluindo o poliamor e os chamados “trisais”, vêm despertando cada vez mais interesse de pesquisadores que procuram entender como essas relações funcionam e quais fatores estão associados à satisfação dos envolvidos.
Um trisal é uma relação afetiva e/ou sexual consensual formada por três pessoas. Embora ainda seja uma configuração minoritária, pesquisas recentes mostram que a não monogamia consensual não pode ser automaticamente associada a relacionamentos menos satisfatórios.
Uma meta-análise publicada em 2025, que reuniu 35 estudos e 24.489 participantes, comparou a satisfação em relacionamentos monogâmicos e não monogâmicos. Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na satisfação geral dos relacionamentos entre os dois modelos.
Comunicação e confiança são fundamentais
Outro estudo recente, publicado em 2026, avaliou pessoas que mantinham relacionamentos com um ou vários parceiros. Os resultados indicaram níveis semelhantes de satisfação nos relacionamentos principais, enquanto fatores como afeto, cuidado e erotismo apresentaram associações importantes com a qualidade da relação.
Pesquisadores também destacam a importância da comunicação e da negociação entre os parceiros. Em uma pesquisa com 1.623 participantes, a satisfação esteve relacionada, entre outros fatores, à capacidade de atender às necessidades dos envolvidos e à comunicação eficaz.
Isso significa que o número de pessoas envolvidas, por si só, não determina se uma relação será feliz ou problemática. O consentimento de todos, a definição de acordos, a transparência e a capacidade de lidar com ciúmes e conflitos aparecem como elementos importantes para a dinâmica dessas relações.
Trisais ainda são pouco estudados
Apesar do aumento do interesse acadêmico pelo tema, é preciso cautela ao interpretar os resultados. Grande parte das pesquisas trata da chamada não monogamia consensual como um grupo amplo, reunindo diferentes formatos de relacionamento. Portanto, os resultados não podem ser aplicados automaticamente a todos os trisais.
No Brasil, entretanto, já existem estudos dedicados especificamente a essa configuração. Uma pesquisa publicada em 2025 analisou a experiência de um trisal poliamoroso e investigou como as três pessoas construíam subjetivamente a ideia de família dentro daquela configuração afetiva.
A conclusão mais segura das pesquisas atuais é que não existe evidência de que a monogamia seja, por definição, mais satisfatória do que uma relação consensualmente não monogâmica. O que parece pesar mais é a qualidade da relação e a forma como os envolvidos estabelecem seus acordos.
Assim, mais do que uma disputa entre modelos, os estudos apontam para uma questão central: independentemente de serem duas, três ou mais pessoas, relações satisfatórias dependem de consentimento, comunicação, respeito e investimento emocional dos envolvidos.







