A transformação da infraestrutura pública, a interiorização dos serviços de saúde, a expansão da rede estadual de ensino e a criação de programas de transferência de renda estão entre as principais marcas dos sete anos e três meses em que Renan Filho esteve à frente do Governo de Alagoas. Eleito em 2014 e reeleito em 2018, o então governador deixou o cargo em abril de 2022 para disputar uma vaga no Senado Federal, encerrando um período marcado por forte volume de investimentos e por mudanças em áreas consideradas estratégicas para o Estado.
Um dos principais eixos da administração foi a infraestrutura. Ao longo dos dois mandatos, o Governo de Alagoas ampliou a recuperação e implantação de rodovias, pavimentou acessos a municípios e comunidades e avançou na construção de obras destinadas a melhorar a integração entre diferentes regiões. O objetivo era reduzir o isolamento de localidades do interior e criar melhores condições para o deslocamento de pessoas, o escoamento da produção e a circulação de mercadorias.
Entre as obras de maior dimensão esteve a continuidade da expansão do Canal do Sertão, projeto considerado estratégico para a segurança hídrica e para o desenvolvimento econômico do Semiárido. A gestão também avançou na implantação e recuperação de estradas estaduais e em obras de mobilidade urbana realizadas em parceria com municípios.

A infraestrutura, porém, não ficou restrita às estradas. Durante o período, o governo promoveu a interiorização do gás natural, com a expansão da rede para Arapiraca, ampliando a infraestrutura energética disponível fora da capital. O tema chegou a ser destacado em pronunciamento no Senado como uma das ações realizadas durante a administração.
Na saúde, a principal mudança foi a estratégia de descentralização. A construção e entrega de hospitais, UPAs e outras unidades permitiu ampliar a oferta de atendimento especializado em diferentes regiões e reduzir a dependência da população do interior em relação à estrutura concentrada em Maceió.
Entre os equipamentos entregues durante o período estão o Hospital da Mulher, em Maceió, o Hospital Metropolitano e hospitais regionais, além de novas Unidades de Pronto Atendimento. O governo também investiu na estrutura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), incluindo o resgate aéreo, que foi apresentado pela própria administração como uma referência nacional.

A segurança pública foi outro setor que recebeu forte investimento. A construção e implantação de dezenas de Centros Integrados de Segurança Pública (CISPs) ampliou a presença das forças policiais no interior, enquanto programas como o Ronda no Bairro e a Força Tarefa passaram a integrar a estratégia de combate à criminalidade.
Também foram criadas ou ampliadas estruturas especializadas, entre elas a Patrulha Maria da Penha, voltada à proteção de mulheres vítimas de violência. A combinação entre investimentos em infraestrutura, equipamentos, tecnologia e efetivo ajudou a modificar o cenário da segurança pública alagoana ao longo dos anos.
Na educação, a gestão apostou tanto na ampliação da estrutura física quanto em programas voltados diretamente aos estudantes. O Programa Escola 10 tornou-se uma das principais políticas educacionais do período, com ações destinadas à melhoria da aprendizagem e dos indicadores educacionais. Posteriormente, o Cartão Escola 10 acrescentou um componente de transferência de renda, oferecendo incentivo financeiro a estudantes da rede pública e buscando combater a evasão escolar. O programa passou a ser apontado como uma das marcas da política educacional do Estado.

A rede física também foi ampliada e modernizada. Centenas de escolas receberam intervenções e novos investimentos, enquanto a expansão do ensino em tempo integral passou a fazer parte da estratégia de melhoria da educação pública. A gestão também realizou concursos, promoveu ações de valorização profissional e descentralizou recursos para as escolas.
Na primeira infância, o Programa Criança Alagoana (CRIA) tornou-se outra política de grande alcance. Além da construção de creches, o programa passou a oferecer transferência de renda por meio do Cartão CRIA, articulando ações nas áreas de educação, saúde e assistência social. A expansão das creches levou novas unidades a municípios do interior, ampliando o atendimento às crianças e dando suporte às famílias.

A área social ganhou, assim, uma dimensão diferente da tradicional política assistencial. Em vez de concentrar ações apenas em benefícios emergenciais, o governo passou a associar transferência de renda a políticas de educação e primeira infância. O Cartão Escola 10 e o Cartão CRIA se transformaram em dois dos principais exemplos dessa estratégia.
Outro aspecto frequentemente associado ao período foi a condução das contas públicas. No início da administração, foram realizadas reformas administrativas, tributárias e medidas de ajuste fiscal. A estratégia buscou recuperar a capacidade de investimento do Estado e, posteriormente, ampliar o volume de recursos destinados a obras e serviços públicos. Em balanço apresentado à Assembleia Legislativa, Renan Filho atribuiu ao equilíbrio fiscal a possibilidade de Alagoas ampliar os investimentos com recursos próprios.
A combinação entre ajuste das contas e ampliação dos investimentos tornou-se uma das características mais destacadas da gestão. Em um período marcado por dificuldades financeiras enfrentadas por diversos estados brasileiros, Alagoas passou a apresentar capacidade de executar obras estruturantes e manter programas públicos de maior alcance.

Outro desafio enfrentado pelo governo foi a pandemia de Covid-19. A administração estadual precisou ampliar a estrutura de atendimento hospitalar, organizar ações de enfrentamento à emergência sanitária e coordenar a vacinação em parceria com os municípios. O período também exigiu medidas econômicas e sociais para amenizar os efeitos da crise sobre a população.
Ao final de sua passagem pelo Governo de Alagoas, o conjunto de ações deixou uma presença física perceptível em diferentes regiões do Estado: estradas recuperadas ou implantadas, hospitais e UPAs, unidades de segurança, escolas modernizadas, creches, programas de transferência de renda e novas estruturas de atendimento público.

O legado político de uma administração, naturalmente, não é medido apenas pelo número de obras entregues. Há críticas, prioridades questionadas e diferentes interpretações sobre os resultados alcançados. Mas os números e a quantidade de programas implantados ajudam a explicar por que os dois mandatos de Renan Filho passaram a ocupar espaço relevante na história administrativa recente de Alagoas.
Mais do que uma sucessão de obras isoladas, o período foi marcado por uma tentativa de combinar infraestrutura, equilíbrio fiscal, expansão dos serviços públicos e políticas sociais. É esse conjunto de ações que sustenta a avaliação de aliados, gestores e parte da população de que os anos de 2015 a 2022 representaram um dos mais intensos ciclos de investimentos públicos já vividos pelo Estado.







