A Casa do Artesão, situada na fazenda Boa Vista, bem próxima da região central de Maragogi, parece estar com os dias contados. Pelo menos é o que conta o artesão Romero Marques, que, ao lado de Izaías José de Lima e Arão, continuam produzindo seu artesanato no lugar. “Recebemos o comunicado do administrador da propriedade no começo de dezembro”, diz Romero. “A ordem é para a gente desocupar o local porque vão derrubar. Falamos então com o pessoal da prefeitura, que disse para não nos preocuparmos.”
Como os artistas nativos não têm para onde ir nem guardar as cerca de vinte máquinas que pertencem à cooperativa Arte Coco, formada por vários artesãos de Maragogi há alguns anos, e que foi dissolvida por falta de incentivo, permanecem na casa, ainda esperando uma posição do setor público municipal. “Este mês, o administrador nos procurou de novo e deu um ultimato. Temos que sair, não tem outro jeito”, diz Romero.
Segundo ele, estão tentando entrar em contato com o gestor do município há uma semana. “Estamos desamparados”, continua Romero. “Sem lugar até para expor nosso trabalho. Antes, colocávamos nossas peças na vitrine da Secretaria de Cultura, na orla marítima. Falaram que iam fazer uma reforma e nos botaram para a praça de alimentação. Ali, o Arão teve sua barraca arrombada e furtaram algumas peças. Ele não colocou mais. O único que continua lá é o Izaías, mas já foi avisado, junto com os demais, de que sairão de lá depois do Carnaval.”
A Casa do Artesão é um pequeno prédio de cinco cômodos que pertenceu a uma escola da rede municipal, e foi doação do prefeito Sérgio Lira no ano de 2002, para a cooperativa.
Romero e Izaías aprimoraram suas técnicas em cursos de reciclagem. ‘Como utilizar a fibra da bananeira” foi um deles, orientado por profissionais da USP – Universidade de São Paulo. Esse curso foi em Maragogi, nos anos de 2001 e 2003. Outro curso relevante foi o de como reaproveitar garrafas pet, em 2003, ministrado por dois ex-catadores de lixo de Belo Horizonte, em Maceió.
A qualidade do profissionalismo e do talento desses artistas pôde ser comprovada nas exposições, durante alguns anos consecutivos, na badalada Feira dos Municípios, que é realizada anualmente no Centro de Convenções de Maceió, o que lhes rendeu uma visibilidade nacional.









