Mídia é tudo. Sabendo usá-la a seu favor, já são 50% de garantia do sucesso de um negócio. Basta um nome diferente para chamar a atenção de algo. E às vezes, nem é preciso contratar agências ou profissionais gabaritados e pagar caro por uma ideia. Basta ter criatividade. E a imaginação popular sempre ganha no quesito originalidade. É o caso do Bar da Apertadinha, situado às margens da Rodovia AL 101 Norte, no Corre Água, no povoado de Barra Grande, em Maragogi.
Instalado na área da frente de uma casa rústica rente à pista, igual a tantas outras da localidade, o ambiente é pitoresco. Coberto com telhas brasilit, sem nenhum colorido ou ornamentação, conta apenas com algumas mesas e cadeiras de plástico em cima de um piso de cimento. Um pequeno som entoa músicas preferencialmente bregas. As pessoas são atraídas pelo nome, pela comida e aperitivos, já que o proprietário, Carlos, ou proprietária, Scarlett O’Hara (o cognome que adotou), de 42 anos de idade, adquiriu vasta experiência trabalhando como cozinheiro em hotéis, pousadas e receptivos da região.
O bar é novidade. Foi criado há cerca de um mês. “Quando saí do meu último emprego, pensei em botar um negócio para mim mesmo”, conta Scarlett. “A princípio, a ideia era abrir um pequeno restaurante em sociedade com uma amiga. Mas eu me vi sem dinheiro. E foi quando surgiu na minha mente o barzinho, porque era uma coisa que eu podia começar do nada. Como eu buscava uma coisa que chamasse a atenção do povo, porque eu estava começando e queria que o pessoal ficasse querendo conhecer o lugar, criei o Bar da Apertadinha.”
O nome foi inspirado na música Apressadinho, da cantora Priscila Sena. “Eu com minhas brincadeiras, cantava ‘apertadinha, sou assim mesmo, vem devagar, eu tenho cabaço’. O pessoal aceitou e está adorando, e eu mais ainda. Os bugueiros passam com turistas, param pra tirar fotos, o pessoal está vindo conhecer.” Gay assumido desde o começo da adolescência, tornou-se figura lendária no povoado. Por essa razão, talvez seja o maior atrativo do local, além da comida, é claro.
“Apertadinha é a minha vida.”
“Servimos mocotó, camarão do rio… Ainda não criei um prato com o nome Apertadinha, porque é tudo muito novo, mas já estou pensando nisso. Inclusive os clientes chegam perguntando: tem apertadinha aí? Saio logo me apresentando: sou eu, meu amor. Prazer, fala com ela.”
Apesar das brincadeiras, Scarlett revela que não sofre preconceito, sempre foi respeitada. “Aqui procuramos tratar os clientes da melhor forma possível.” Sobre o termo ter conotação sexual, ela discorda. “Sabe aquela coisa, uma família grande morando numa casa pequena, simples, sem muita coisa, pouco espaço pra muita gente? É isso. Pessoal leva pro lado da maldade, mas não tem maldade nenhuma. Apertadinha é a minha vida. Todo final do mês me virando nos trinta pra pagar as dívidas. E mesmo assim, feliz.”







