Maragogi construiu sua reputação muito antes das campanhas de marketing e das redes sociais. Tornou-se conhecida no Brasil e no exterior por aquilo que a natureza lhe ofereceu de mais precioso: suas praias de águas cristalinas, seus recifes de corais, sua vegetação e a paisagem que sempre encantou moradores e visitantes.
É justamente por isso que causa preocupação assistir, quase sem reação, ao desaparecimento gradual das árvores que ajudam a dar identidade ao município.
Nos últimos anos, obras de urbanização têm sido acompanhadas pela retirada de árvores centenárias, sem que haja um programa efetivo de compensação ambiental. Um exemplo é a Rua João Correia de Almeida, onde a pavimentação asfáltica trouxe melhorias para a mobilidade, mas também eliminou árvores que faziam parte da paisagem da via. Até hoje, nenhuma reposição foi realizada.
Nesta quinta-feira, outra cena chamou a atenção da população: a derrubada de uma árvore centenária na Praça Batista Acioly. A justificativa apresentada foi o risco que ela representava para as pessoas. Evidentemente, quando uma árvore realmente oferece perigo iminente, a segurança da população deve prevalecer. No entanto, isso não pode servir de argumento para que a cidade simplesmente aceite a perda de seu patrimônio ambiental sem exigir uma compensação imediata.
Toda árvore retirada deveria ser substituída por outras, preferencialmente de espécies adequadas ao ambiente urbano e em quantidade suficiente para preservar o equilíbrio ambiental. Não se trata apenas de estética. Árvores reduzem a temperatura das cidades, oferecem sombra, melhoram a qualidade do ar, absorvem gás carbônico, favorecem a biodiversidade, diminuem o impacto das chuvas e tornam os espaços públicos mais acolhedores e humanos.
Uma cidade sem árvores é uma cidade mais quente, mais árida e menos saudável.
Maragogi, que recebe milhares de turistas todos os anos em busca da exuberância de sua natureza, precisa dar o exemplo também dentro de seu perímetro urbano. Não basta preservar o mar se as ruas e praças perdem, pouco a pouco, a vegetação que lhes confere vida.
A situação desperta ainda outra reflexão. Houve um tempo em que toda a costa de Maragogi era marcada por extensos coqueirais, um dos cartões-postais mais emblemáticos do município. Com o passar dos anos, esse cenário foi sendo alterado. Hoje, restam poucos trechos que ainda conservam aquela paisagem que durante décadas caracterizou o litoral maragogiense. É uma transformação silenciosa, mas perceptível, que evidencia como o patrimônio natural pode desaparecer quando não há planejamento e políticas permanentes de preservação.
O desenvolvimento urbano é necessário. Obras são importantes. A modernização da infraestrutura também. Mas desenvolvimento não pode significar a eliminação daquilo que torna Maragogi única.
É preciso que o poder público trate a arborização urbana como política permanente, e não como detalhe secundário das obras. Que exista um plano de manejo transparente, baseado em critérios técnicos, e que toda supressão de árvores seja acompanhada da devida reposição, com acompanhamento para garantir que as novas mudas cresçam e cumpram seu papel.
Este editorial não é um protesto contra o progresso. É um apelo pelo equilíbrio. É um chamado às autoridades, aos órgãos ambientais e à própria sociedade para que compreendam que preservar árvores é preservar qualidade de vida, identidade, memória e futuro.
Maragogi é conhecida internacionalmente por suas belezas naturais. Não podemos permitir que essa fama sobreviva apenas nas fotografias antigas ou nas lembranças de quem viu uma cidade mais verde. O compromisso com o meio ambiente começa nas pequenas decisões do cotidiano — inclusive na sombra de uma árvore centenária que, uma vez derrubada, levará muitas gerações para ser substituída.







