Bóris: Uma história de superação

Paraplégico, ele encontrou na arte razões para continuar sua existência
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Há quatro anos, a vida do maragogiense Erinaldo da Silva Santos, conhecido popularmente como Bóris, mudou completamente no decorrer de três dias. Tudo por conta de um simples banho de rio em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. O pescador vivenciou essa mudança radical em razão de um pequeno parasita chamado Schistosoma Mansoni.

Esse parasita é responsável pela doença esquistossomose, que inicialmente é assintomática, mas pode evoluir e causar problemas crônicos de saúde. Foi o caso de Bóris. A bactéria o deixou impossibilitado de andar novamente. A infecção é adquirida quando o ser humano entra em contato com a água doce, onde existam caramujos infectados pelos vermes causadores da esquistossomose.

Tudo ocorreu em 2017. Erinaldo ainda trabalhava como pescador, mergulhador e em um mercado de Maragogi. Quando, depois de um simples banho de rio, começou a se queixar de problemas na coluna e imaginava que fosse devido ao esforço físico em seu trabalho. Mas era algo bem mais grave do que isso. No decorrer de três dias, a dor ficou insuportável e o jovem não conseguia mais se levantar da cama para fazer as atividades corriqueiras do dia a dia.

A partir dali, sua rotina se alteraria de modo abrupto. O que Boris achava ser um pequeno problema na coluna, na verdade era uma terrível doença acometida pela bactéria Schistosoma Mansoni, que foi contraída de maneira imperceptível. Então, desde se levantar da cama até ir à padaria, se tornaram ações que precisavam do auxílio de outra pessoa.

Bóris, antes de ser atacado pela bactéria. (Fotos: arquivo pessoal).

Bóris relata que quando descobriu a esquistossomose, se viu desolado e sentiu literalmente que sua vida acabaria naquele mesmo instante, com todos os seus projetos e sonhos em uma cadeira de rodas. Aliás, para ter a primeira cadeira de rodas, demorou cerca de dois meses. Antes disso, Erinaldo era levado por amigos para realizar tarefas básicas.

A rotina de pesca e mergulho se transformou em constantes cirurgias e longos períodos sobre uma cama. Durante essa fase, Erinaldo necessitou da ajuda diária de sua família e amigos. O ex-pescador destaca dois deles como essenciais na sua cruciante trajetória: Alison Bruno (vulgo pantera) e José Antônio dos Santos, o Pingo. “Agradeço a Deus por ter me dado forças e ver o lado positivo disso tudo, para me dar esperanças e alegria de viver pela arte. Sou grato também a minha família e aos amigos”, completou o rapaz.

Porém, em vez de se lamentar pelo resto da vida devido a doença, o rapaz preferiu buscar algo de positivo e usar o tempo na cadeira de rodas para aprimorar seu lado artístico. Bóris já pintava paisagens em azulejos antes de não poder se movimentar, mas a admissão das cadeiras tornou a prática mais constante, e agora, ele definitivamente trabalha com essa arte de forma remunerada. Começou a pintar os quadrinhos para vender, como uma forma de passar o tempo, e desde então não parou mais.

Atualmente, o agora pintor profissional está com 34 anos e ainda mora em Maragogi, desempenhando a popular profissão de “pintor de quadrinhos” com maior orgulho. “Não me deixei abater pelo meu problema, e hoje me considero uma pessoa feliz e de bem com a vida”, confessa Bóris.

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